Início Blog Cibersegurança
Cibersegurança

Como apresentar ROI de segurança para a diretoria sem perder o fio da meada

Equipe AIM7
Especialistas em Cibersegurança
Compartilhar
Como apresentar ROI de segurança para a diretoria sem perder o fio da meada

Quando o assunto é segurança da informação, muitos gestores enfrentam o mesmo desafio: convencer a diretoria a investir em algo que, aparentemente, não gera receita direta.

Enquanto áreas como vendas, marketing e operações conseguem demonstrar resultados através de indicadores claros de crescimento e produtividade, a segurança costuma cair na armadilha do “investimos para que nada aconteça”.

Mas será que essa é realmente a melhor forma de apresentar o valor da cibersegurança?

A resposta é não.

O erro mais comum: falar de tecnologia para quem pensa em negócios

Muitos profissionais de TI apresentam projetos de segurança focando em aspectos técnicos:

Embora esses recursos sejam importantes, a diretoria normalmente não toma decisões baseada em características técnicas.

O que os executivos querem entender é:

  • Quais riscos estamos reduzindo?
  • Quanto dinheiro podemos perder se nada for feito?
  • Quanto custará implementar a solução?
  • Qual será o impacto para a operação?

Em outras palavras, a conversa deve ser sobre negócios, não sobre tecnologia.

Segurança não gera lucro. Ela protege o lucro.

Uma maneira simples de mudar a abordagem é substituir a pergunta:

“Quanto vamos ganhar investindo nisso?”

Por:

“Quanto podemos perder se não investirmos?”

Imagine uma empresa que fatura R$ 1 milhão por mês e depende totalmente de seus sistemas para operar.

Um ataque ransomware que paralise a operação por apenas três dias pode gerar:

  • Perda de faturamento
  • Horas extras da equipe
  • Contratação emergencial de especialistas
  • Danos à reputação
  • Possíveis multas regulatórias
  • Perda de clientes

Dependendo do cenário, o prejuízo pode ultrapassar facilmente centenas de milhares de reais.

Quando comparado ao custo anual de uma solução de proteção, o investimento passa a fazer muito mais sentido.

Transforme riscos em números

Uma técnica bastante eficaz é traduzir riscos em impactos financeiros.

Por exemplo:

Risco: Comprometimento de contas por phishing.

Impacto possível:

Probabilidade: Média.

Impacto financeiro estimado: R$ 200 mil.

Investimento para mitigação: R$ 20 mil por ano.

A diretoria não precisa entender como funciona o MFA ou a proteção de identidade.

Ela precisa entender que um investimento de R$ 20 mil ajuda a reduzir um risco potencial de R$ 200 mil.

Essa é uma linguagem universal.

Trabalhe com cenários

Outra estratégia eficiente é apresentar três cenários.

Cenário 1 – Nenhum investimento

Maior exposição a riscos e possíveis impactos financeiros elevados.

Cenário 2 – Investimento básico

Redução dos riscos mais comuns, com menor custo inicial.

Cenário 3 – Proteção avançada

Maior maturidade de segurança, menor exposição e melhor capacidade de resposta a incidentes.

Essa abordagem ajuda a diretoria a participar da decisão e entender claramente o que está sendo aceito ou mitigado em cada cenário.

Use indicadores que façam sentido para o negócio

Nem todo indicador técnico gera valor para um executivo.

Compare:

Indicador técnico

  • 1.500 ameaças bloqueadas no mês.

Indicador de negócio

  • Nenhuma interrupção operacional causada por incidentes de segurança.
  • Disponibilidade dos sistemas mantida em 99,9%.
  • Redução de 80% nos incidentes relacionados a phishing.
  • Tempo médio de recuperação reduzido de 8 horas para 1 hora.

O segundo grupo mostra resultados que a diretoria consegue relacionar diretamente à continuidade da empresa.

Não venda medo. Venda resiliência.

Durante muitos anos, o mercado de segurança utilizou o medo como principal argumento de venda.

Embora ataques e vazamentos sejam riscos reais, uma abordagem baseada apenas em catástrofes pode gerar resistência.

Empresas investem mais facilmente quando enxergam benefícios concretos como:

  • Continuidade operacional
  • Maior previsibilidade
  • Redução de riscos financeiros
  • Atendimento a requisitos regulatórios
  • Proteção da reputação da marca
  • Maior confiança de clientes e parceiros

O foco deve ser mostrar como a segurança ajuda a empresa a operar com mais estabilidade e menos surpresas.

Como calcular quanto a empresa perde quando um sistema para

Um dos maiores desafios para o gerente de TI é responder à pergunta que inevitavelmente surge em qualquer reunião com a diretoria:

“Quanto realmente perdemos se esse sistema ficar fora do ar?”

A boa notícia é que essa resposta pode ser calculada de forma relativamente simples.

O primeiro passo é identificar quais processos dependem do sistema em questão. Em muitas empresas, uma indisponibilidade não afeta apenas a área de TI, mas também vendas, logística, atendimento ao cliente, financeiro e produção.

Algumas perguntas que ajudam nesse levantamento são:

  • A empresa consegue faturar sem esse sistema?
  • Os pedidos continuam sendo processados?
  • Os funcionários conseguem trabalhar normalmente?
  • Clientes conseguem comprar ou ser atendidos?
  • Há impacto em entregas ou produção?

Depois disso, é possível estimar o custo da interrupção.

1. Perda de faturamento

Se a empresa fatura R$ 20 milhões por ano, isso representa aproximadamente R$ 55 mil por dia útil.

Se o sistema responsável pelas vendas ficar indisponível durante um dia inteiro e impedir novas negociações, esse valor já pode ser considerado como perda potencial de receita.

2. Perda de produtividade

Imagine uma empresa com 50 colaboradores que dependem do sistema para trabalhar.

Se o custo médio de cada colaborador for R$ 50 por hora e o sistema permanecer indisponível por quatro horas, o prejuízo em produtividade será:

50 colaboradores × R$ 50/hora × 4 horas = R$ 10.000

E isso sem considerar atrasos em entregas ou retrabalho.

3. Custos de recuperação

Após uma falha ou incidente, normalmente surgem despesas adicionais como:

  • Horas extras da equipe interna;
  • Contratação emergencial de consultorias;
  • Recuperação de backups;
  • Aquisição de equipamentos ou licenças;
  • Comunicação com clientes e fornecedores.

Esses custos frequentemente são ignorados nas análises iniciais, mas podem representar uma parcela significativa do prejuízo total.

4. Impactos difíceis de medir

Nem tudo aparece imediatamente na contabilidade.

Uma indisponibilidade prolongada pode resultar em:

  • Perda de clientes;
  • Cancelamento de contratos;
  • Danos à reputação;
  • Multas regulatórias;
  • Redução da confiança de parceiros.

Embora sejam mais difíceis de quantificar, esses fatores devem ser considerados na avaliação de riscos.

A fórmula que a diretoria entende

Uma abordagem prática consiste em calcular:

Impacto financeiro por hora de indisponibilidade = Receita perdida + Produtividade perdida + Custos operacionais adicionais

Com esse número em mãos, o gerente de TI consegue demonstrar claramente o custo de uma interrupção de quatro, oito ou vinte e quatro horas.

Quando a diretoria percebe que uma parada de sistema pode custar R$ 5 mil, R$ 20 mil ou até R$ 100 mil por hora, fica muito mais fácil entender por que investimentos em backup, alta disponibilidade, monitoramento e segurança não são despesas de TI, mas mecanismos de proteção do negócio.

Conclusão

Apresentar ROI em segurança não significa provar que a empresa ganhará mais dinheiro após a implantação de uma solução.

Na maioria dos casos, significa demonstrar quanto dinheiro, tempo e reputação podem ser preservados ao reduzir riscos relevantes para o negócio.

Quando a conversa sai do mundo técnico e passa a ser conduzida em termos de impacto financeiro, continuidade operacional e gestão de riscos, a diretoria consegue enxergar a segurança não como um custo, mas como um investimento estratégico para proteger os resultados da empresa.

Precisa de ajuda para escolher?

Nossa equipe pode fazer um diagnóstico do seu ambiente e recomendar o modelo mais adequado — sem custo e sem compromisso.

Falar com especialista